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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O empurrão de 2015


Pois bem, foram mais ou menos 749 dias desde o último post nesse blog.
Muita coisa mudou ,inclusive minhas moradas, que nem vem ao caso agora eu comentar nem falar nada, mas praticamente sou uma nova pessoa desde então e durante essa nova vida aqui, falarei muito sobre.

Como todo mundo diz e realmente é bem verdade que a vida começa depois do carnaval, hoje pra mim uma coisa muito simples me deu um start pra dar um start na vida de novo e mudar tudo. Inclusive sentar por quase 6 horas ininterruptas, tentar lembrar como se mexe no HTML e mudar toda a vida do layout do blog que sempre foi a mesma. Um novo começo, um novo blog dentro do velho blog a partir de um texto que me deu aquele empurrão pra vida que eu precisava.

Achei lindo, provavelmente você já deve ter lido, mas vale a pena reler e levar pra todo o sempre esse texto maravilhoso.

*


Porque a saúde não mora só no corpo.

Passou o natal, passou o ano novo, passou o carnaval. The game is over e a vida real pede passagem. É nessa hora que a febre detox-vida-nova-entrar-nos-eixos vem com força ainda maior- se é que isso é possível.


Detox vem da ideia de desintoxicar, tirar do corpo tudo o que não lhe faz bem. Louvável, sem dúvida nenhuma. Mas o problema começa quando as pessoas resolvem achar que duas garrafas de suco verde são a milagrosa solução para melhorar suas vidas.
2015 tá aqui na nossa frente e de nada vai adiantar desintoxicar o corpo, se a vida e a alma estão povoadas de hábitos, pessoas, dias e caminhos tóxicos. Parasitas, comodismos, vícios, medos.
Gente tóxica é o que mais tem. Gente cinza, amarga, invejosa, gente que gosta de problema, que gosta de doença, que gosta de discórdia, gente que vive de aparência, gente rasa. E não tem jeito, temos que fugir mesmo, cortar, evitar ao máximo. Bom dia, boa tarde e até logo. Não nos deixemos contaminar.
Não adianta comer chia toda manhã se a gente odeia o emprego e já sai de casa com vontade de voltar. Não dá para achar que o corpo vai estar puro se você não acredita no que faz e passa mais de 40 horas da semana ruminando tarefas infelizes.
Não adianta beber 3 litros de água por dia quando se está num relacionamento que afundou. É cômodo, todos sabemos. Mas a vida é uma só e não dá para ver os dias, meses e anos passarem com migalhas de amor e sem vestígios de paixão.
Não adianta colocar linhaça nas receitas quando só se reclama da vida, dos outros, do país, do calor, da chuva, do trânsito. É um ciclo vicioso, quanto mais a gente fala das coisas ruins, menos atenção a gente dá às coisas boas e a vida vai ficando ruim, ruim, ruim.
É ilusão achar que a mudança vem de fora para dentro. Que a felicidade e a saúde cabem em embalagens plásticas com códigos de barra. Produtos podem ser ótimos coadjuvantes nessa busca, mas a verdadeira mudança é só o protagonista quem faz.
E eu quero um 2015 detox.
Detox de dias iguais.
Detox de gente ruim.
Detox de maus hábitos.
Detox de inveja.
Detox de relações doentes.
Detox de obsessões.
Detox de pessimistas.
Detox de medo de mudar.
Detox de dias desperdiçados.
Detox de sentimentos pobres.
Detox de superficialidade.
Detox de vícios.
Detox de viver por viver.
E pra fazer detox na vida é preciso coragem. Coragem para mudar, para arriscar, para romper, para fechar ciclos que há muito tempo deveriam ter terminado. O ano oficialmente começou e a pergunta é: vai ter só suco verde ou vai ter detox na vida?

Obrigada Ruth Manus, autora do texto acima, por isso. Era o que eu precisava.
E vamo que vamo 2015 e o novo Sunglassesss!!!  

*** 

sábado, 17 de julho de 2010

Só pra dizer algumas palavras...



Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Posso fugir dos outros, mas não posso fugir de mim...
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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Se nos organizássemos

O mal é não estarmos organizados, devia haver uma organização em cada prédio, em cada rua, em cada bairro, Um governo, disse a mulher, Uma organização, o corpo também é um sistema organizado, está vivo enquanto se mantém organizado, e a morte não é mais do que o efeito de uma desorganização,…

In Ensaio Sobre a Cegueira, Editorial Caminho, 11ª edição, p. 281
(Selecção de Diego Mesa)

Texto tirado do blog de um dos melhores ( se não for o melhor ) escritor de todos os tempos, José Saramago, publicado hoje AQUI.