sábado, 16 de janeiro de 2016
As fases enlouquecidas da vida
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Filmes para o final de semana.
Então resolvi compartilhar alguns filmes bem gostosos de se ver que eu assisti recentemente.
Daqueles que terminam e você ainda continua com um sorriso no rosto e pede pra ter continuação.
Coloquei o link embaixo de cada filme para um site online, todos legendados e com ótima qualidade.
Aí estão eles, enjoy.
Gostou?
Comenta aqui...
Bom final de semana!
* * *
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
about movies - Somewhere
Mais uma pérola de Sofia Copolla, Somewhere (Um lugar qualquer) último longa-metragem no qual a trama se associa à infância da própria cineasta às voltas do pai, Francis.
E é claro que a trilha sonora impecável... tô louca pra ver!
fica a dica.
<3
segunda-feira, 7 de junho de 2010
O mundo imaginário do Dr. Parnassus

Genial e azarado. Esses são os dois adjetivos que melhor resumem o que é Terry Gilliam. O único estadunidense a fazer parte do grupo cômico Monty Python, Gilliam começou fazendo as animações non-sense que envolviam pés gigantes, cabeças que se abriam e mulheres assanhadas das vinhetas da série de TV e depois passou à direção de cinema. Estão no seu currículo filmes clássicos como Monty Python e o Cálice Sagrado, cultuados como Brazil e esquecidos como o recente Contra-Ponto, que saiu aqui direto em DVD. Mas ao assistir ao making of de Os 12 Macacos e ao documentário Lost in La Mancha é que vemos como os deuses do cinema vivem testando a fé de Gilliam. Principalmente neste último, que chegou a ser cancelado e tudo o que podia dar errado, deu. Do protagonista morrendo de dores nas costas e proibido de andar a cavalo a uma chuva torrencial que arrasou seu set de filmagens.
Depois de conseguir finalizar sem maiores problemas seus dois últimos projetos (Os Irmãos Grimm e o já citado Contra-Ponto), parecia que a maré de azar tinha passado. Até que veio o 22 de janeiro de 2008. Gilliam estava no meio das filmagens de O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (The Imaginarium of Doctor Parnassus, 2009) e em um dos papéis principais estava Heath Ledger, incessantemente elogiado a cada nova cena que surgia da sua interpretação do Coringa em Batman - O Cavaleiro das Trevas, a ser lançado no meio daquele ano. O ator morreu em Nova York, deixando órfão sua pequena filha Matilda e sem rumo os amigos com quem filmava.
Gilliam quase teve de fechar as portas de sua produção de novo. E foi aí que entraram os amigos Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel, que deram um passo à frente e se ofereceram para terminar o papel que o australiano interpretava. E quer saber? Se o filme fosse pensado dessa forma, talvez não ficasse tão bom. As cenas em que os três atores aparecem se passam dentro do tal mundo imaginário do Dr. Parnassus e lá você pode ser quem você quiser. Quem você sonhar. E por isso, a mudança de atores, que muita gente pode até estranhar no início, veste como uma luva em uma daquelas mãos que tem uma cabeça no seu topo.
Sim, a imagem é "gilliamética" e saiu mesmo da mente do desvairado autor. Essa e tantas outras, como águas vivas gigantes, balões de ar em formatos de cabeça flutuando por mundos coloridos, bocas que são "chupadas" nas caras das pessoas, cobras que aparecem do contorno de rios e escadas sem fim. Não há dúvida que Parnassus é o filme mais visual que Gilliam já construiu, equilibrando como nunca efeitos práticos com computação gráfica, como na cena em que acompanhamos o diabo conhecido como Nick (Tom Waits) chegando ao templo onde Parnassus (Christopher Plummer) comanda outros monges em meditações sobre tapetes voadores. Os dois fazem um pacto: em troca da imortalidade, Parnassus promete ao Diabo a sua filha quando ela completar seus 16 anos. Pensando ser mais esperto que o senhor das trevas, Parnassus não imagina ter filhos e consegue se manter invicto, até que conhece e se apaixona por uma mulher, a mãe de Valentina (Lily Cole). Quando o filme começa, Nick está de volta para cobrar seu prêmio. Tão bêbado quando desesperado, Parnassus tenta uma última cartada para manter a delicada e linda filha: conseguir cinco almas para ele antes do aniversário de Valentina, em três dias.
Tony (Ledger, Depp, Law, Farrel) entra em cena amnésico, pendurado pelo pescoço em uma ponte de Londres. É logo incorporado à trupe de Parnassus e com sua lábia vai ajudando a recolher as almas, para o desespero de Anton (Andrew Garfield), que sofre ao ver sua amada Valentina se apaixonando pelo novato. Porém, não se deve confiar em um personagem que foi batizado em "homenagem" ao ex-primeiro ministro britânico Tony Blair, descrito por Gilliam como um cara que "diria as coisas mais insanas e provavelmente acreditaria nelas".
Parnassus, no meio de todas as viagens entre o mundo imaginário e o cotidiano, ainda consegue guardar espaço para fazer críticas às pessoas que estão sempre atrasadas a ponto de deixar de sonhar e ao capitalismo. E há ainda um estranho número musical típico de Monty Python.
Talvez a história não agrade a todo mundo. Mas uma obra de Terry Gilliam jamais vai conseguir atingir tal feito. Sua mente funciona em uma frequência diferente. Seus sonhos são mais coloridos. Seus devaneios, mais sinistros. E seus filmes, bom, estes são cada vez mais ímpares no meio das fórmulas usadas pelas pessoas que podem até ser mais sortudas, mas não têm a mesma genialidade.
Fonte: daqui


O filme é incrivelmente belo, o figurino é maravilhoso!Acho que agora só em DVD já que há apenas uma sala exibindo aqui em SP.
Veja aqui o trailer.
Fica a dica.
domingo, 6 de junho de 2010
Pics of Day - Cinema
Nem o tédio que foi o sábado, nem o frio que faz aqui em SP me fez ficar em casa nesse sábado, demorei, mas fui assistir " O mundo imaginário do Dr. Parnassus " lá no Cine Bombril na Paulista. Última sessão, salinha pequenina, do jeito que eu gosto.
Acho que até agora eu tô no mundo imaginário do Dr. O filme é espetacular. Uma explosão de surrealismo absurda.
Jess que foi comigo viu pela segunda vez, pois o filme merece sim uma segunda vez.
Depois falo mais sobre...
bom final de sábado e começo de domingo pra todos!
xoxo
terça-feira, 27 de abril de 2010
Alice in Wonderland
Alice no País das Maravilhas talvez seja uma das histórias infantis mais queridas pelos adultos. Primeiro porque existe encanto e beleza e um certo toque de magia e absurdo, como em toda história infantil inteligente; depois, porque as mensagens subliminares escondidas em cada episódio, cada aventura vivida pela menina que cai na toca de um coelho e vai esbarrar em outro mundo, onde nada parece fazer sentido, dá margem às interpretações mais diversas. Têm pesquisadores que até duvidam que Alice no País das Maravilhas tenha sido escrito para crianças. À luz da psicanálise, o jogo de espelhos, a loucura do chapeleiro, as obsessões da rainha de copas, o esconde-esconde com o gato, as variações de tamanho da personagem (ora minúscula e insignificante, ora gigantesca, desproporcional, sempre inadequada) dizem muito mais para um adulto do que para uma criança. Embora, originalmente, a história tenha sido escrita para uma menina de dez anos. No entanto, uma criança do século XIX. Alice e, por tabela, Lewis Carrol, seu criador, são enigmas que se reconfiguram e não perdem a juventude, o ineditismo, a surpresa, mesmo mais de século e meio depois da primeira publicação do livro na Inglaterra da época vitoriana, em 1865.As edições da história de Lewis Carrol são igualmente inesgotáveis. Das comentadas, luxuosas, integrais, às simplificadas para os menorzinhos, sempre existe uma “alice” adequada ao senso crítico ou idade do leitor. É uma história que, quando lida na infância, é interpretada de um jeito e quando lida na idade adulta, ganha outros significados. As meninas da minha geração e creio que outras antes de nós, quando eram pequenas, queriam viver as aventuras da pequena Alice, apenas pelo gosto de conhecer o exótico, o diferente, transgredir,embora na infância não tenhamos nem consciência do que é uma transgressão. Só sabemos que, no nosso mundo lúdico, sempre há lugar para as coisas aparentemente sem sentido, mas recheadas de significados. Mal sabíamos nós que, ao crescer, encontraríamos em vários rostos pela vida afora, diversas versões da rainha de copas, do gato de cheshire e do chapeleiro louco. De certa forma, toda menina traz dentro de si, mesmo quando mais velha, um pouco de Alice, seja no país das maravilhas ou de um dos dois lados do espelho.
Alice de Tim Burtom

quarta-feira, 10 de março de 2010
Cinema

Fazia tempos que não ia ao cinema durante a tarde e sozinha. Peguei a sessão das 14h lá no Unibanco, aproveitei as sessões inusitadas do Cinematerna pra rever amigos e relembrar meus bons/velhos momentos de diversão pós-parto.
Sessão a meia luz, som mais baixo, bebês pra todo quanto é lado, sentada na primeira fileira com aquela telona na cara.... (adoro)
O filme:
Lone Scherfig pode não ser muito conhecida dos brasileiros, mas com certeza é uma grande cineasta. A dinamarquesa, representante do Dogma 95, concorreu com Educação a três estatuetas na cerimônia do Oscar, incluindo a de Melhor Filme. Apesar de não ter sido um dos favoritos, essa produção possui aspectos bastante interessantes e boas atuações.
Inspirado numa memória publicada pela jornalista Lynn Barber, o filme se passa em 1961 e conta a história de Jenny (Carey Mulligan), uma garota inglesa que, com apenas 16 anos, sabe pouco da vida. Em seu quarto, escuta Juliette Greco e sonha com Paris e em conhecer o mundo. Seus pais Jack (Alfred Molina) e Majorie (Cara Seymour) a educam de maneira tradicional e nutrem grandes esperanças de que ela vá para a Universidade de Oxford e se torne uma profissional independente. A garota é muito inteligente e dedicada aos estudos, desejando sair de casa para fazer o curso superior e poder ser dona do próprio nariz.
É aí que surge David (Peter Sarsgaard) em sua vida. Um homem mais velho, que a leva a conhecer lugares interessantes e menospreza a importância que a jovem dá aos estudos. Com seu primeiro amor, a garota antecipa uma das atitudes que iria marcar as décadas de 60 e 70: a quebra das tradições. Ela enfrenta a professora e a diretora da escola católica onde estuda para poder viver essa experiência. Não chega a queimar sutiãs nem nada drástico. Mas toma atitudes emblemáticas que indicam o que esperar dos jovens das décadas seguintes.
Filmado de forma muito comum, Educação tem seus bons momentos. Quando Jenny está no carro, aguardando David voltar, vemos cenas do que acontece a seu redor refletidas no vidro do carro. Quando o casal está em Paris, a imagem muda e temos uma sequência feita de forma diferente, com a câmera na mão, e a sensação de certa granulação na tela, ao estilo documentário caseiro. Merece destaque também a boa reconstituição de época que é feita, com músicas, roupas, comportamentos, estilos de penteados, entre outros detalhes da década de 60 que estão presentes.
Carey Mulligan, apesar de sua primeira indicação ao Oscar pelo papel, está apenas "cumprindo tabela" e não tem chances, tendo em vista suas concorrentes. Mas está atuando bem, mostrando que, apesar de ainda ter muito a desenvolver, é uma promissora atriz.
A terceira indicação do filme ao Oscar 2010 é para Nick Hornby, pelo roteiro. O escritor, mais conhecido pelo livro Alta Fidelidade, fez um filme bastante comedido, com bons diálogos, mas nada de memorável ou extremamente emocionante, procurando se ater a aquilo que era necessário ao desenvolvimento da história.
Educação nos faz refletir sobre importantes questões como a independência da mulher contemporânea, se estamos dispostos a pagar o preço das atitudes que tomamos, e especialmente sobre como pode ser maleável a ética de uma pessoa. Muitas vezes aquilo que é considerado como o caminho mais ético a se seguir por todos pode mudar, em nossa percepção, apenas para benefício próprio. Essa aquisição de uma nova moral muitas vezes custa caro. Estamos dispostos a assumir nossos atos? Ou se iludir é mais fácil? Essa obra traz respostas e cada um que saiba interpretá-las a seu modo.
Trailer
Recomendo, lindo, trilha sonora maravilhosa, a fotografia incrível, dá vontade de ir a Londres/Paris já!
... mas agora só em DVD acho.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Onde Vivem os Monstros


Hoje fui assistir " Onde vivem os monstros " e saí da sala de cinema completamente apaixonada. O filme é fascinante, emocionante, triste, belo... uma trilha sonora que toca o coração.
Quando o escritor Dave Eggers leu, na infância, o clássico "Onde Vivem os Monstros" (1963), de Maurice Sendak, ficou aterrorizado. Foi preciso chegar aos 20 anos para ler o livro sem medo. No tempo em que foi publicado, "Onde Vivem os Monstros" passou pelo mesmo tipo de incompreensão, sendo banido de algumas livrarias. Mas a recepção dos leitores foi maior que o medo, e a obra atravessou os anos assombrando um número cada vez maior de fãs de todas as idades. Entre eles está o presidente Barack Obama, que leu o livro para crianças na Casa Branca, na última Páscoa.
Adaptação cinematográfica de Spike Jonze, o mesmo do estranho e divertido "Quero Ser John Malcovich",rompeu a cortina medrosa que o separava dos leitores mais renitentes, que temiam o pior. Afinal, daquele punhado de frases (338 palavras, segundo a revista Time) e desenhos inimitáveis não poderia sair um longa-metragem que prestasse; nem que ele tivesse entre os produtores executivos o próprio autor do livro. Nem contando com o fã medroso Dave Eggers como roteirista.
O resultado, no entanto, é uma das coisas mais sensíveis que o cinema para crianças já produziu. O único problema é que "Onde Vivem os Monstros" não é exatamente um filme para crianças pequenas, por tratar com realismo algumas questões mais tristes da infância. Este é, no entanto, um dos seus grandes acertos.
Tudo já está no original de Sendak. Max é um garoto bagunceiro, vestido de lobo, que toca o terror em casa, perseguindo o cão e ameaçando devorar a própria mãe, que o chama de monstro e o manda para o quarto sem jantar. Max, então, vê uma floresta crescer ao seu redor, entra num barco e navega por um ano e algumas semanas até chegar a uma ilha habitada por monstros, que ele domina e dos quais se torna rei. Depois de se divertir de forma selvagem, Max se cansa deles, sente saudades de casa e deixa-se levar de volta atrás do cheiro da comida ainda quente que o espera no quarto.
Spike Jonze conseguiu rechear esse enredo escasso com muita imaginação. Criou uma família disfuncional, típica do novo cinema americano, em que o pai não aparece, a mãe sustenta a casa cheia de dificuldades, a irmã adolescente só quer saber dos amigos mais velhos e o caçula fica por conta da própria imaginação. O mini-ator que interpreta Max também se chama Max (Records) e parece que foi feito para o papel. Quanto aos monstros, eles são personagens tridimensionais – embora ajudados por computadores – e não apenas bonecos peludos e esquisitos. Eles parecem refletir as relações de Max com o mundo (e as vozes de James Gandolfini, da série "Os Sopranos", e Forest Whitaker, dão muita credibilidade aos bonecos).
Freud gostaria muito do livro e do filme, pois ambos tratam de temas relacionados aos sentimentos mais primitivos da infância – aqueles com os quais nosso inconsciente tem de lidar: a raiva, o lado selvagem da alma solitária que a imaginação libera. Esses sentimentos primitivos despertaram o medo nos primeiros leitores, e devem fazer o mesmo com os espectadores mais novos. Os monstros de Jonze, cheios de personalidade, não têm nenhuma fofura, são defeituosos e cruéis como todos nós em algum momento da vida.
Mesmo pesando nesses quesitos, o filme é, na maior parte da ação, uma festa selvagem, divertida e deslumbrante. As imagens captadas em paisagens reais e as atividades dos monstrengos liderados por seu pequeno rei enraivecido são inesquecíveis. E a música, que ficou aos cuidados de Karen O, dos Yeah Yeah Yeahs, e reúne gente importante de outras bandas, como The Racounters, é triste sem perder a doçura jamais. Ajuda a tirar lágrimas do espectador ao mesmo tempo em que anima os momentos mais brincalhões do filme.
Vale a pena cortejar o cinema com o original literário, lindamente lançado no Brasil pela Cosacnaify. O processo todo foi uma encrenca, pois Sendak, 81 anos, coberto de razão, não perdoa edições mal-feitas. Foi necessária uma longa troca de correspondências para receber a bênção do autor, que exigiu papel especial importado do Canadá e lombadas feitas de tecido. De forma que apenas a língua separa hoje a edição brasileira da americana.
E também vale a pena ler "Os Monstros" (Companhia das Letras), escrito por Dave Eggers, a partir da experiência com o roteiro. "Os Monstros" herdou o pique simples e misterioso do livro infantil e do filme. Tanto quanto eles, é uma visão fascinante do que significa crescer e lidar com esses monstros a que chamamos sentimentos.
Saí do cinema com aquela sensação boa de filme bom...
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Lars Von Trier
Assisti " Anticristo " e a tempos venho montando na minha cabeça esse post sobre o filme.Não é um filme fácil de se comentar nem de recomendar, Lars é foda!
Diretor de " Dançando no escuro "," Os Idiotas " e " Dogville " esse filme chocou o público muito mais do que os outros.
Porque? Porque Lars é foda! Lars choca! Lars é simplesmente um dos melhores de todos os tempos.
Dando um google básico, encontrei esse post ( um dos melhores que li sobre o filme ) então peço a permissão ao dono para copiá-lo aqui.
O caos reina: em 'Anticristo', Lars von Trier dá vida aos seus pesadelos.
Esqueça a crítica ferrenha aos Estados Unidos. Apague, por alguns minutos, da sua mente o movimento Dogma e sua "naturalidade". Lars Von Trier deixou tudo isso de lado para fazer seu mais novo filme, Anticristo, um terror psicológico, marcado por todos os pesadelos que teve durante os dois anos que passou em depressão. O filme estreou nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, dia 28, e já coleciona polêmica – território onde ele costuma andar com destreza em todos os seus trabalhos – desde a exibição no Festival de Cannes (assista ao trailer abaixo da texto).Apesar de o diretor deixar de lado suas abordagens políticas, a ironia é a mesma de sempre: a mais cruel e refinada, com direito a cenas de mutilação genital, sexo explícito e questão “Deus realmente existe?”. E é justamente munido desse sarcasmo, que von Trier apresentou o filme nas coletivas em Cannes, auto-intitulado "o melhor diretor do mundo".
Diante das insistências para que explicasse o filme, foi vago nas respostas e soltou farpas como "eu não me preocupo com a audiência quando faço um filme" ou "foi Deus que me fez escolher essa história e realizar esse filme agora", além de elegê-lo o mais importante da sua carreira. Não é de se espantar, afinal Anticristo nasceu de todos os demônios que ele enfrentou nos anos de seu terror psicológico. O caos reina na história vivida pelos excelentes Charlotte Gainsbourg, premiada com a Palma de Ouro, e William Dafoe.
Para termos a dimensão do significado do filme na vida do diretor, Charlotte disse em entrevista à Folha de S.Paulo que as maiores dificuldades das filmagens foram os constantes ataques de pânico que ele sofria em algumas cenas. “Sabíamos que podia deixar o set a qualquer momento”, revelou.
A natureza demoníaca e o animalesco
Como é prática constante, o cineasta dinamarquês dividiu seu filme em capítulos – “Luto", "Dor (Caos Reina)", "Desespero (Genocídio)" e "Os Três Mendigos", além de trazer um prólogo e um epílogo – para contar a história de um casal (os nomes não são citados em nenhum momento) que se refugia numa floresta isolada, ironicamente chamada de Jardim do Éden, após a morte de seu filho.
Ela, uma escritora, totalmente entregue à dor da perda, ele, um terapeuta, que usa a psicologia cognitiva (abordada da maneira mais irônica a esse tipo de tratamento) para ajudar a esposa. Já envoltos na vastidão da natureza, o vegetal, o animal e, principalmente, os instintos humanos se misturam numa saga bíblica que mexe com a moral e os valores dos espectadores. Von Trier tira de Charlotte uma mulher em seu estado mais frágil e faz um retrato visceral, que de tão animalesco soa pornográfico.
A premissa é "e se a natureza fosse criada pelo anticristo?". Vale lembrar, aqui, que Lars von Trier é filho de pais ateus e tem, desde os 12 anos de idade, um exemplar de O Anticristo, manifesto anticristianismo de Friedrich Nietzsche, em sua cabeceira. Mesmo com esse histórico, o cineasta, implicante como é, se converteu ao Cristianismo em certo momento da vida, porém hoje perdeu novamente a fé na religião – embora sua nova obra seja toda permeada por símbolos e citações místicas.
A plástica do filme
Diferente da proposta de seus outros filmes, com câmeras no ombro e imagem o mais natural possível (herança do movimento Dogma), aqui, em Anticristo, ele investe na estética. A bela fotografia é assinada por Antony Dod Mantle (o mesmo de Quem Quer Ser um Milionário) e, desde a poética abertura, rodada em preto e branco e em câmera lenta, já impressiona. Nela, um casal faz sexo, de forma idílica e intensa, no momento em que seu filho pequeno sai do berço, se aproxima da janela e dali cai.
A música de fundo, neste prólogo, compõe a ironia: Lascia Ch’io Pianga, de Händel, com interpretação da soprano norueguesa Tuva Semmingsen, fecha uma das cenas mais belas dos últimos tempos.
Ironia ou homenagem?
Encerrado o filme, uma tela negra. Pouco mais de dois segundos, o espectador se depara com a frase: "Dedicado a Andrei Tarkovski (1932 a 1986)”. Depois do bombardeio de metáforas antisemitas, a impressão que dá é de um sarcasmo despudorado, já que o famoso cineasta russo tem na sua cinematografia um forte compromisso com o sagrado.
No entanto, Von Trier justificou e esclareceu essa dúvida na época do Festival de Cannes. "Para mim ele era uma espécie de deus. Me sinto ligado a ele, assim como a Bergman", comentou. “Meu trabalho e o dele têm uma relação religiosa. A primeira vez que assisti a um filme do Tarkovski, The Mirror (O Espelho), entrei em êxtase. Dedicaria todos os meus filmes a ele”, revelou.
Se entregue ao pesadelo
Lars Von Trier sabia o que fazia quando não quis explicar seu filme (e na verdade, que obra deve ser explicada?). E assim deve fazer o seu espectador. Anticristo não é um filme para ser explicado. Deve ser enfrentado (com muita coragem), sentido. Diante de todos aqueles símbolos e referências, ele só pede que você mergulhe nos seus pesadelos mais tenebrosos e busque algum significado, o seu significado.
Por Thyago Gadelha.
Assino embaixo Thiago!
A fotografia do filme é maravilhosa.



O Trailer
Já vou avisando, se você sofre de pesadelos, insônia, é super religioso, nunca assistiu a nenhum Dogma, nem sabe do que se trata e é frágil demais, NÃO ASSISTA! Com certeza você vai voltar aqui no dia seguinte me xingando por estar escrevendo sobre esse filme.
Mas se tudo bem pra você conter cenas fortes de mutilação genital, sexo explícito entre outras... assista e volte aqui para me dizer o que achou.
Vou dizer a real, demorei um pouco pra entender dentro da minha cabeça o significado real desse filme pra mim. Alguns dias, por assim dizer... entendi e logo, amei.
A atriz do filme, Charlotte Gainsbourg tem uma banda linda, e canta muito. No post abaixo tem o link pra baixar as músicas dela.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Um domingo, dois filmes...
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Cinema

Aqui em São Paulo está acontecendo a Mostra Internacional de Cinema e hoje fui assistir Patrick 1,5. Um filme Sueco que conta a história de um casal gay, Göran e Sven que conseguem a permissão para adotar Patrik, um órfão sueco que eles acreditam ter 1 ano e meio. Mas quando o menino chega, ele não é bem o que eles esperavam. Houve um erro de digitação da idade do garoto e os pais receberam um jovem homofóbico de 15 anos com um passado criminoso.
O filme tem sua graça, engraçado, triste, daquele tipo de filme " fofo " de se ver.
Vamos torcer pra entrar em cartaz e todos poderem assistir.
AQUI o trailer.
E AQUI a programação para os próximos dias. Mas chegue cedo, pois as salas lotam rápido, eu cheguei bem em cima da hora e assisti o filme sentada na escada.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Persepolis
Hoje no Cinemax vai passar esse filme lindo, Persepolis.
22:00hs. Reprise na próxima terça também as 22:00hs.
Sinopse:
O filme conta a história de uma menina que cresce no Irão durante a Revolução Islâmica. É através dos olhos da precoce e extrovertida Marjane, de 9 anos, que vemos a esperança de um povo ser destruída quando os fundamentalistas tomam o poder, forçando as mulheres a usar o véu e mandando para a prisão milhares de pessoas. Inteligente e destemida, Marjane consegue fintar os "guardas sociais" e descobre o punk, os Abba e os Iron Maiden. Mas, quando o seu tio é cruelmente executado e as bombas começam a cair sobre Teerão durante a guerra Irão/ Iraque, o medo diário que invade o quotidiano do Irão torna-se palpável. À medida que vai crescendo, a ousadia de Marjane torna-se uma constante fonte de preocupação para os seus pais que temem pela sua segurança. Assim, aos 14 anos, tomam a difícil decisão de a enviar para uma escola na Áustria. Vulnerável e sozinha numa terra estranha, tem que enfrentar as típicas contrariedades dos adolescentes. Além do mais, Marjane é confundida com o fundamentalismo religioso e o extremismo, exactamente as coisas de que fugiu no seu país. Com o tempo, acaba por ser aceite e até conhece o amor, mas com o fim do liceu começa a sentir-se sozinha e cheia de saudades de casa. Apesar de isso significar ter que pôr o véu e viver numa sociedade tirânica, Marjane decide regressar ao Irão para estar mais perto da sua família. Após um difícil período de ajustamento, entra para uma escola de artes e casa-se, embora continue a levantar a sua voz contra a hipocrisia a que assiste. Aos 24 anos, percebe que, apesar de ser profundamente iraniana, não pode continuar a viver no Irão. É então que toma a dilacerante decisão de trocar a sua terra natal pela França, cheia de optimismo em relação ao futuro, moldada indelevelmente pelo seu passado.












